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Biocuriosidades

Você conhece alguma samambaia aquática?

O que são cianobactérias e por que às vezes são um problema?

 

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Você conhece alguma samambaia aquática?

As pteridófitas são plantas vasculares com ausência de flores, frutos e sementes, as mais conhecidas são popularmente denominadas de samambaias. Apresentam ciclo de vida com duas fases (esporofítica e gametofítica).

O esporófito é a planta mais evidente, é vascularizada tem xilema e floema como as plantas com flores e também é a planta formadora de esporos, como as briófitas. O gametófito, a planta menos conhecida, tem aparência e proporção de briófita e forma gametas.

Atualmente, estima-se que existam entre 12.000 a 15.000 espécies de pteridófitas no mundo.

Uma pteridófita bem interessante, e que em nada se parece com uma típica samambaia é a espécie aquática Regnellidium diphyllum, o formato de suas folhas lembra uma gravata borboleta. Possui caule rastejante que se fixa ao substrato e folhas flutuantes formadas por dois folíolos arredodados, o tamanho do pecíolo varia conforme a altura da lâmina d'água, podendo chegar a 20 cm de comprimento. Representa a única pteridófita conhecida que possui látex em seu esporófito, também, é endêmica do sul da América do Sul, tem sua ocorrência restrita a região sul do Brasil e Corrientes na Argentina. Devido à destruição crescente de seu hábitat (banhados e corpos d'água) e seu grau de endemismo, foi incluída na lista das Espécies Ameaçadas de Extinção do Rio Grande do Sul na categoria vulnerável. O látex é um líquido, geralmente, de aparência leitosa presente em algumas plantas, principalmente, em representantes das famílias Apocynaceae (p.ex. jasmim-catavento), Euphorbiaceae (p.ex. coroa-de-cristo e seringueira) e Moraceae (figueiras), e serve para proteção da planta.

Rosana Senna
Seção de Botânica - MCN/FZBRS
e-mail: senna@fzb.rs.gov.br


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O que são cianobactérias e por que às vezes são um problema?

Cianobactérias, também conhecidas como algas azuis ou cianofíceas, são seres bastante primitivos, constituindo-se nos primeiros organismos produtores de oxigênio, com documentos fósseis de sua existência há cerca de 3,5 bilhões de anos. Com estrutura celular muito simples (procariontes), apresentam, ao mesmo tempo, características de bactérias e de algas, por isso, atualmente, são chamadas de cianobactérias.

 
 
 
 

Floração da cianobactéria potencialmente tóxica Cylindrospermopsis raciborskii (Wolosynska) Seenayya et Subba Raju em corpo d'água do Rio Grande do Sul, formando manchas amareladas na superfície da água. Foto: Emanuel Bruno Neuhaus.

 

Aspecto geral de floração de Cylindrospermopsis raciborskii vista ao microscópio óptico (400x). Foto: Emanuel Bruno Neuhaus.
Cianobactéria mundialmente conhecida pela agressividade de suas toxinas, com potencial de produzir tanto hepato como neurotoxinas.

 

Em condições normais, as cianobactérias e os demais organismos aquáticos convivem de modo equilibrado. No entanto, quando há algum tipo de poluente que enriqueça a água com nitrogênio e fósforo - a chamada eutrofização - o ambiente torna-se propício à multiplicação excessiva de cianobactérias, dando origem ao fenômeno chamado “floração das águas”. Pelo potencial de produção de toxinas de certas espécies, este fenômeno é responsável por problemas sanitários que, além da toxicidade, conferem odor e sabor de terra ou mofo às águas. Estas florações normalmente tornam as águas esverdeadas ou amareladas, formando manchas na superfície devido ao elevado número de indivíduos.

As cianobactérias podem produzir neurotoxinas que atuam no sistema nervoso central, inibindo a transmissão de impulsos à musculatura, provocando a morte por parada respiratória, hepatotoxinas que causam intoxicações, morte por hemorragia do fígado e dermatotoxinas, irritante ao contato.

Intoxicações, mortandades de peixes e de outros animais, inclusive de humanos, causadas por cianotoxinas têm sido registradas no mundo inteiro.

Cerca de 40 cianobactérias são referidas como potencialmente tóxicas, dentre estas, 14 já foram registradas em florações, inclusive tóxicas, em diversos corpos d'água do Rio Grande do Sul. Cylindrospermopsis raciborskii, Microcystis spp., Anabaena crassa e Planktothrix isothrix estão entre as espécies que merecem destaque pela alta freqüência de ocorrência. Cabe ressaltar que, florações de Planktothrix isothrix foram responsáveis pela coloração esverdeada ostentada pelo lago Guaíba e pelo sabor e odor de terra de suas águas em verões passados.

Vera Regina Werner
Seção de Botânica - MCN/FZBRS
e-mail: vrwerner@fzb.rs.gov.br


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