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15/08/08 - Nosso pampa desconhecido

Clique para ampliarO Governo do Estado do RS, através da Secretaria do Planejamento e Gestão, Secretaria do Meio Ambiente e Fundação Zoobotânica do RS, promove a exposição fotográfica NOSSO PAMPA DESCONHECIDO.
Com 30 fotos do jornalista e fotógrafo ambientalista Adriano Becker, além de painéis informativos sobre o Pampa, com distintos enfoques, a mostra visa provocar um “novo olhar” sobre essa importante região do Estado, buscando desenvolver uma consciência que propague a harmonização de aspectos sociais, econômicos, culturais e ambientais, associados à sustentabilidade.
Esta mostra é resultado do trabalho de pesquisadores da Fundação Zoobotânica do RS e que faz parte do Projeto Biodiversidade RS, coordenado pela Secretaria do Planejamento e Gestão, com recursos do BIRD – Banco Mundial e GEF – Global Environmental Facility.
A abertura da exposição ocorre no próximo dia 19, às 17h, na Sala de Exposições Temporárias do Museu de Ciências Naturais/FZB-RS – Rua Dr. Salvador França, 1427 – Jardim Botânico de Porto Alegre.
A mostra permanece no Museu de Ciências até o dia 28 do corrente e segue, posteriormente, para a Expointer, no espaço do Governo do Estado – Pavilhão Internacional.

AS RIQUEZAS DO PAMPA 
O Pampa gaúcho é parte de uma importante região natural com cerca de 760.000 km² que cobre a metade sul do Rio Grande do Sul, o Uruguai e o nordeste da Argentina. Dos seis biomas brasileiros, é o único que está restrito a apenas um estado da federação, o que confere grande peculiaridade ao território sul-rio-grandense no contexto nacional.
Tendo em vista que o olhar humano normalmente associa a visão de natureza preservada a ambientes fartamente arborizados, pouco se tem valorizado o Pampa como região natural, cuja paisagem se caracteriza pela predominância de campos, constituindo um conjunto de ecossistemas raros e extremamente frágeis. Por outro lado, é impossível pensar no Pampa sem que imediatamente venha à mente a figura do gaúcho, o habitante natural da região, completamente integrado ao seu meio e hoje conhecido muito além das fronteiras do Rio Grande.
Portanto, o Pampa gaúcho é uma região com características naturais próprias, que lhe conferem fragilidades e potencialidades específicas, ao qual também está intimamente vinculado um povo com uma forte tradição e identidade cultural.
Sem dúvida, o grande desafio deste século é tentar conciliar as demandas crescentes dos seres humanos em termos de recursos com o respeito aos limites de suporte dos ecossistemas que os sustentam. A harmonização de aspectos sociais, culturais e ambientais é a base para se alcançar o desenvolvimento de uma nação e, nesse sentido, a visão de sustentabilidade é fundamental para a manutenção de peculiaridades regionais. Para que um povo entenda a complexidade dos ambientes que lhe dão sustentabilidade, é necessário sensibilizá-lo e informá-lo sobre as potencialidades e os problemas que ocorrem nesses espaços, de forma a se promover uma conduta compatível com sua conservação a longo prazo. É fundamental, também, conscientizar a sociedade a respeito do conceito de “pertencimento” a tudo o que lhe rodeia, desta forma promovendo uma relação harmônica com o meio.
O Pampa é caracterizado por um conjunto de diferentes tipos de relevo e solos, recobertos por vegetação campestre ou de savana, em que predominam plantas herbáceas e arbustivas e divide-se em quatro regiões principais: Planalto da Campanha, Depressão Central, Planalto Sul-Rio-Grandense e Planície Costeira.
Considerando que a maior parte das espécies de plantas e animais domésticos, que hoje formam a base da nossa alimentação, originaram-se em ambientes dominados por campos e pradarias, o pampa é uma importante fonte de material genético.
Os campos proporcionam, também, reposição da fertilidade do solo, controle de pragas agrícolas, da erosão e de inundações, polinização de cultivos, purificação das águas, recursos genéticos e oferecimento de ambientes para fins estéticos ou recreacionistas.
Das 136 ecorregiões do planeta, identificadas como exemplos da diversidade de ecossistemas do mundo, 35 são de campos e savanas.
Quase metade dos 234 centros de diversidade de plantas reconhecidos no mundo incluem habitats de campos e savanas. Estes centros de diversidade representam áreas com alta diversidade de gramíneas, onde as práticas de conservação podem proteger um grande número de espécies deste grupo.
Longe de serem ecossistemas pobres em espécies, os pampas apresentam uma diversidade biológica bem distinta. A região é uma das áreas do planeta com maior diversidade de espécies de gramíneas (capins e afins). Somente nos campos do sul do Brasil existem mais de 800 espécies diferentes de gramíneas e 200 de leguminosas (família do feijão), o que sobrepassa inclusive a riqueza de plantas encontradas em algumas selvas tropicais.
12% de todas as espécies de mamíferos e aves do Rio Grande do Sul vivem somente em campos, e muitas outras ocupam esse ambiente de uma maneira não exclusiva. Há várias espécies de animais e plantas endêmicas dos Pampas, ou seja, que não existem em nenhum outro lugar do Planeta. Estas incluem oito espécies de aves, mamíferos como o tuco-tuco da região de Alegrete, e numerosas espécies de plantas, incluindo dezenas de espécies de cactos que só ocorrem em nossos campos.
15% das 250 espécies ameaçadas de extinção no RS habitam somente campos, sendo seis mamíferos, como o veado-campeiro, o gato-palheiro e o lobo-guará, 25 aves, como a noivinha-de-rabo-branco, o veste-amarela, a águia-cinzenta, um réptil, três anfíbios e três espécies de abelhas nativas sem ferrão.
As áreas de preservação de campos cobrem 7,6% da superfície total do bioma no planeta, mas estas áreas protegidas estão concentradas principalmente na África e Ásia.
Estima-se que quase 50% da superfície de campos e savanas do planeta já estejam degradadas pelo uso humano, 5% em situação de extrema degradação.
A substituição dos pastos naturais por pastagens artificiais, agricultura e silvicultura, além do pastoreio intensivo, tem reduzido o hábitat de muitas espécies animais e vegetais. Também a incidência do fogo e a introdução de espécies exóticas têm levado algumas áreas ao processo de degradação e desertificação.
Os campos estocam aproximadamente 34% do carbono disponível em ecossistemas terrestres, enquanto as florestas aproximadamente 39% e os agroecossistemas cerca de 17%. Diferentemente das florestas tropicais, porém, onde a vegetação é a fonte primária do carbono estocado, a maior parte do carbono armazenado nos campos está no solo.
25 das 145 maiores bacias hidrográficas do planeta são formadas por pelo menos 50% de campos.

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Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social
Fundação Zoobotânica do RS
Fone: 3336.3281

 

 

 
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