31/10/07 - Museu de Ciências Naturais completa 52 anos
O Museu de Ciências Naturais, órgão executivo da Fundação Zoobotânica do RS comemora, no próximo dia 5 de novembro, o seu 52º aniversário.
Consta da programação o lançamento na Internet da página dos Tipos Nomenclaturais das Coleções Científicas de fauna e flora do Museu, e a disponibilização na página da FZB (www.fzb.rs.gov.br), a partir desta data, dos multimídias "Áreas Úmidas do RS" e "Protozooplancton em Ecossistemas Aquáticos - PROBIO-MCN/FZBRS", e do manual sobre "Pombos Domésticos: Sugestões para o controle em Escolas Públicas Estaduais de Porto Alegre", produzido em parceria com a 1ª CRE/SE.
Como resultado da primeira etapa da campanha de conscientização sobre aquecimento global, iniciada em maio passado, será lançado, também neste dia, cd com o tema Aquecimento Global - A vida em um planeta mais quente e Como reduzir o aquecimento global. 300 exemplares do cd serão entregues à 1ª Coordenadoria de Educação da Secretaria de Educação do estado, visando o repasse às escolas sob a sua jurisdição, como instrumento de informação e educação ambiental a ser utilizado nas salas de aula.
Segundo o Presidente da Fundação Zoobotânica do RS, Luiz Gheller, "o acesso a estas informações visa facilitar a comunidade científica e o público em geral os resultados dos estudos realizados pelo Museu de Ciências".
Na mesma data será comemorado o recebimento do Prêmio Copesul Ambiental 2007, focado na "Água: Preservação dos Mananciais, Consumo, Reuso ou Qualidade" concedido ao trabalho realizado pelo Museu nos últimos dez anos, e o Prêmio Pesquisador - Destaque na área de Ciências Biológicas, concedido à pesquisadora do Museu, Maria Helena Mainieri Galileo.
Conforme a diretora do MCN, Maria de Lourdes Abruzzi de Oliveira, o Prêmio Copesul Ambiental, recentemente recebido, constitui o reconhecimento pelas pesquisas desenvolvidas e pela atuação do Museu junto à comunidade na promoção do conhecimento e da conservação da biodiversidade gaúcha. "Estes dois Prêmios são o maior presente de aniversário que o Museu poderia receber", acrescenta Maria de Lourdes.
O Museu de Ciências Naturais, que está credenciado como instituição Fiel Depositária de Componentes do Patrimônio Genético pelo Ministério do Meio Ambiente, mantém coleções científicas que documentam a flora e a fauna atual e fóssil do Rio Grande do Sul e do Brasil, referendadas entre as mais importantes coleções biológicas do país, com mais de 400.000 registros.
O evento comemorativo ao aniversário do Museu estará acontecendo no dia 5 de novembro, às 10h30, na Sala de Exposições do Museu - Rua Dr. Salvador França, 1427, e contará com a presença do Secretário do Meio Ambiente, Carlos Otaviano Brenner de Moraes.
A IMPORTÂNCIA DAS COLEÇÕES DO MUSEU DE CIÊNCIAS NATURAIS
Relação das coleções com o meio ambiente
A biodiversidade de todo o mundo é muito mal conhecida. Não se sabe quantas espécies existem e tampouco se conhecem todas as variações que podem ocorrer dentro de uma mesma espécie. As coleções de museus são fundamentais para o aumento desse conhecimento.
A ciência se baseia em comparações e, para que ela evolua, é essencial que os cientistas "falem a mesma língua". Para conferir se realmente o animal que alguém descreveu é o mesmo sobre o qual outro cientista está falando, são necessários animais de referência, que se encontram nos museus em todo o mundo.
Importância das coleções
- possibilitam o desenvolvimento do conhecimento científico, uma condição indispensável para a preservação das espécies ("conhecer para preservar").
- são depositárias do testemunho da biodiversidade de uma região (passado e presente).
- abrigam espécies que não existem mais ou que vão deixar de existir daqui a algum tempo.
- a cada exemplar de uma coleção podem estar associadas informações fundamentais para sabermos como essa espécie interage com o ambiente em que está. Exemplo: o conteúdo do estômago de um animal coletado pode ser estudado num museu e, a partir dali, desenvolver-se o conhecimento sobre o tipo de alimentação daquela espécie. Saber o tipo de alimentação, por sua vez, é fundamental para indicar aos órgãos de licenciamento ambiental as diretrizes para a preservação das outras espécies das quais esta se alimenta.
- a pesquisa realizada a partir das coleções auxilia no desenvolvimento da biotecnologia.
- o conhecimento sobre as riquezas naturais do país, desenvolvido nos museus, ajuda a fundamentar ações de combate à biopirataria.
As Coleções do MCN:
As coleções do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do RS destacam-se principalmente pela sua diversidade, pois abrangem a maioria das espécies, de esponjas até mamíferos (no que se refere aos animais) e algas até vegetais superiores (no caso dos vegetais).
ARANHAS (curadora: Erica Buckup) - com cerca de 35 mil lotes e 70 mil exemplares. Aproximadamente 500 tipos (animais de referência). Uma das melhores coleções da América Latina, em diversidade e organização.
MOLUSCOS (CONCHAS) (curadoras: Ingrid Heydrich e Sílvia Hähn), com 36 mil lotes. Coleção com excelente aspecto visual.
INSETOS (curadoras: Hilda Alice Gastal, Maria Helena Galileo e Aline Barcellos)
Com mais de 100 mil insetos. Coleção de referência: está entre as principais do país.
ESPONJAS DE ÁGUA DOCE (curadora: Cecília Volkmer Ribeiro). A única coleção científica existente na América do Sul. Iniciou em 1967, sendo representativa da diversidade de espécies existentes nas Américas e na África. Chamam atenção por serem animais, apesar de terem aspecto de plantas. São indicadoras de águas sem poluição. Uma esponja chamada feltro-d'água é a mais antiga da coleção, espécie que não ocorre em nenhum outro lugar do mundo, a não ser no rio Tainhas (município de São Francisco de Paula). A espécie está na lista de animais ameaçados de extinção, tanto na gaúcha quanto na nacional. A lista do Ibama de espécies ameaçadas é a primeira em nível mundial a incluir esponjas. Isso se deve aos estudos realizados no Museu de Ciências da Fundação Zoobotânica.
ESPONJAS MARINHAS (curadora: Beatriz Mothes). Coleção usada como referência para a pesquisa de substâncias destinadas ao tratamento de câncer.
RÉPTEIS E ANFÍBIOS (curadores: Moema Araújo e Maria Lúcia Alves). Coleção com 30 mil exemplares (cobras, sapos, lagartixas, tartarugas etc.) É a maior coleção do Estado. Iniciou-se na década de 40, a partir da coleção herpetológica do prof. Thales de Lema. Curiosidades: possui cobras raras, como a nariguda rajada, que foi vista pela última vez no Estado apenas na década de 40, e a jararacuçu, a segunda maior serpente das Américas, chegando a 1,8 metro de comprimento, que só é encontrada, com sorte, no Parque do Turvo. (o serpentário tem exemplares em líquido e vivos). A coleção abriga cerca de 90% dos répteis e anfíbios em extinção no Estado. Exemplos de répteis em extinção que fazem parte da coleção: jararacuçu, dormideira-cipó, jiboinha, cobra-cipó-metálica, cotiara, muçurana-de-barriga-branca, cobra d'água do litoral, boipevaçu, lagartixa-da-praia, nariguda-rajada, parelheira-do-mato, falsa muçurana.
MAMÍFEROS (curadora: Márcia Jardim). O acervo tem um esqueleto de girafa com 5 metros de altura.
HERBÁRIO - vegetais superiores e intermediários (curadora: Maria de Lourdes A. de Oliveira). Mais de 100 mil plantas, representando a flora do estado, sendo que a planta com o registro número 1 é uma margarida coletada no bairro Petrópolis, Porto Alegre, em 1971.
HERBÁRIO - algas microscópicas (curadora: Sandra Alves da Silva). Acervo com mais de 12 mil lotes em líquido, com microalgas continentais.
AVES (curador: Glayson Bencke). Acervo com a maior coleção de peles de aves do Estado, com quase 3 mil peles, cerca de 800 esqueletos (desmontados), representando aproximadamente 600 espécies. Nesta coleção se encontram dois dos cinco exemplares de gavião-real (harpia) conservados no estado. Na natureza, este animal não é mais visto desde a década de 40. O gavião-real chama atenção pela sua envergadura, que pode chegar a 2 metros . Suas unhas comparam-se em tamanho às do urso cinzento americano, com 8 centímetros de comprimento.
FÓSSEIS (curador: Jorge Ferigolo). A coleção começou na década de 1970, com o prof. Carlos de Paula Couto, tendo sido consideravelmente ampliada com o projeto para a pesquisa de Sítios Paleontológicos, incluída no Projeto Pró-Guaíba. O acervo possui mais de 5 mil fósseis, incluindo esqueletos completos ou partes de dinossauros, peixes, anfíbios, plantas, répteis, mamíferos, e invertebrados fossilizados, como moluscos, caranguejos e insetos. Inclui esqueletos dos dinossauros mais antigos do mundo, com 300 milhões de anos.
PEIXES (curador: Marco Aurélio Azevedo). O acervo possui 16 mil lotes.
GEOPROCESSAMENTO COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO AMBIENTAL
O geoprocessamento é uma tecnologia de ponta que serve como importante instrumento de tomada de decisão rápida e eficaz, para ações que visam a conservação e a preservação dos recursos naturais. Utilizando instrumentos como imagens de satélite, fotografias aéreas, mapas, banco de dados e softwares específicos, é possível gerar as análises e informações necessárias no planejamento de ações na área ambiental, buscando a sustentabilidade dos recursos naturais.
O Laboratório de Geoprocessamento do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do RS foi criado em dezembro de 1998, quando da execução do Programa Pró-Guaíba, como integrante do Sistema de Informações Geográficas (SIGPROGB).
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
O Museu desenvolve uma série de atividades voltadas para a conscientização dos diversos segmentos da sociedade - professores, alunos do ensino médio e fundamental, e a comunidade em geral, visando à preservação e conservação da fauna e flora nativa. Estas ações são viabilizadas através de cursos, oficinas, atividades lúdicas, exposições temporárias (nas Salas de Exposições do Museu) e itinerantes em escolas, centros comunitários, parques, e outros espaços de grande circulação popular.
Agendamentos poderão ser feitos pelo telefone 51.3320.2032 ou por e-mail museamb@fzb.rs.gov.br .
Fonte:
Coordenadoria de Comunicação Social
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