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19/07/06 - Projeto do Inpa envolve coleção
de aves da Zoobotânica
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Aureo Banhos dos Santos (E) e Glayson Bencke, com o exemplar de águia-real, que pertence ao acervo científico do Museu de Ciências Naturais/FZB-RS. |
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Buscar subsídios para ampliar o conhecimento da estrutura populacional do gavião-real ( Harpia harpyja), foi o objetivo da visita à Fundação Zoobotânica do RS, do mestrando Áureo Banhos dos Santos, do Curso de Genética, Conservação e Biologia Evolutiva,
do Programa de Pós-Graduação em Biologia Tropical e Recursos Naturais do convênio do INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
Em sua recente estada no RS, o pesquisador retirou um pequeno coágulo de algumas penas dos exemplares empalhados e vivos de gavião-real, que fazem parte do acervo científico do Museu de Ciências Naturais e do Parque Zoológico, órgãos executivos da FZB, sendo que uma das peças examinadas no Museu data de 1927. Fez parte da pesquisa realizada, a amostragem de outros exemplares empalhados, que pertencem aos acervos do Museu do Colégio La Salle Dores , Museu do Colégio Anchieta e Museu Regional Olívio Otto
Segundo Áureo, pouco se conhece sobre o parentesco destas águias, entre as várias regiões de matas do país, já que a mesma espécie ocorre também na Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica. O Projeto Gavião-real do INPA, desenvolvido em parceria com o Criadouro CRAX, localizado em Minas Gerais , prevê a reintrodução na natureza de filhotes nascidos neste cativeiro. O Projeto, coordenado pela ecóloga Dra. Tânia Sanaiotti, do INPA, especialista em gavião-real e co-orientadora de Áureo, se propõe a reintroduzir um primeiro indivíduo na Mata Atlântica, onde as populações declinaram acentuadamente, acompanhando a degradação desse bioma. Populações pequenas possuem baixa variabilidade genética e são mais sensíveis a alterações ambientais, pois têm menos chance de encontrar variantes dentre seus indivíduos, que se adaptem a novas condições ambientais. Estas populações ficam mais sujeitas ao cruzamento entre parentes, o que pode gerar descendentes com problemas genéticos. Reintroduções de indivíduos com genética muito diferenciada podem afetar o sucesso da estratégia, levando a uma perda de diversidade dentro da espécie. A pesquisa, que está sendo desenvolvida no Laboratório de Evolução e Genética Animal (LEGAL), da Universidade Federal do Amazonas - UFAM, tem orientação da geneticísta Dra. Izeni Farias e pode orientar o cruzamento de indivíduos em cativeiro e as reintroduções na natureza, preservando as diferenças genéticas significativas de gavião-real entre diferentes biomas do Brasil, caso exista diferença.
Os estudos utilizam penas caídas no chão da floresta, abaixo dos ninhos dos gaviões encontrados na natureza, e de exemplares de zoológicos e criadouros, dos quais se utiliza penas provenientes de mudas encontradas no chão dos recintos. Também são extraídas amostras de exemplares preservados em museus.
Aureo ressalta a importância dos Museus em todo o país para pesquisa desta natureza, já que com apenas um pequeno fragmento da pena é possível extrair o DNA, mesmo de aves empalhadas há muitos anos. Com um alto valor científico, testemunho da história do gavião-real na Mata Atlântica do Sul do país, em especial dentro do Rio Grande do Sul onde a espécie é considera como provavelmente extinta, o acervo existente no estado é um dos maiores do Brasil - são cinco exemplares - todos datados da primeira metade do século passado.
O projeto em questão está sendo desenvolvido com apoio financeiro da Fundação O Boticário, da Fundação de Amparo a Pesquisa do Amazonas - FAPEAM e da Coordenação de Amparo a Pesquisa e Ensino Superior - CAPES, tendo recebido em Porto Alegre , o acompanhamento técnico do ornitólogo da FZB-RS, Glayson Bencke.
A espécie: o gavião-real, vulgarmente também conhecido como harpia, habita as florestas do Novo Mundo, desde o sul do México até o nordeste da Argentina com distribuição mais ampla no Brasil. É considerado uma das maiores aves de rapina do mundo e o falconiforme que possui maior força de empuxo e as maiores garras.
Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social
Fundação Zoobotânica do RS
Fone: 3336.3281
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