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30/05/07 - Zoobotânica debate
Ambiente e sociedade: Existe crise ambiental?

Clique para ampliarNuma promoção da Fundação Zoobotânica do RS acontece no próximo dia 1º de junho, o Projeto Verdes Debates, encontros para discutir meio ambiente e a atualidade, reunindo técnicos, especialistas e a comunidade.

Com o objetivo de discutir o tema Ambiente e Sociedade: Existe Crise Ambiental?, seja considerando as realidades global, nacional, regionais ou mesmo municipais, a ZOOBOTANICA, promove este debate com a sociedade, convidando os diversos atores sociais envolvidos com esta temática.

Participam deste debate representantes da Fiergs, Ministérios Público Estadual e Federal, Semapi, Sema, Ong IGRE e um jornalista ambientalista, que estará sendo realizado das 8h30 às 12h e das 14h às 17h, no auditório do Jardim Botânico - Rua Dr. Salvador França, 1427. Entrada franca.

Este evento faz parte da programação da Semana Estadual do Mieo Ambiente, coordenada pela SEMA.

Maiores informações poderão ser obtidas pelo telefone 3336.3281, a na Coordenadoria de Comunicação Social/FZB-RS

AMBIENTE E SOCIEDADE

Será que existe uma crise ambiental?

De Acordo com Relatório Síntese da Avaliação Ecossistêmica do Milênio (2005), ".. nos últimos 50 anos, o homem modificou os ecossistemas mais rápida e extensivamente que em qualquer intervalo de tempo equivalente na historia da humanidade, na maioria das vezes para suprir rapidamente a crescente demanda por alimentos, água potável, madeira, fibras e combustível. Isto acarretou uma perda substancial e, em grande medida irreversível, para a diversidade da vida no planeta.

As mudanças que ocorreram nos ecossistemas contribuíram com ganhos finais substanciais para o bem-estar humano e o desenvolvimento econômico, mas esses ganhos foram obtidos a um custo crescente, que incluiu a degradação de muitos serviços dos ecossistemas, maior risco de mudanças não lineares, e exacerbação da pobreza para alguns grupos da população. Esses problemas, a menos que tratados, reduzirão substancialmente os benefícios obtidos dos ecossistemas por gerações futuras". ".. a degradação dos serviços de ecossistemas pode piorar consideravelmente na primeira metade deste século, representando uma barreira para a consecução das Metas de Desenvolvimento do milênio."

O desenvolvimento e o progresso das regiões estão passando por uma modificação no que se refere aos critérios básicos de sua avaliação. A grande discussão sobre o futuro das gerações passa obrigatoriamente por uma mudança da postura filosófica e comportamental dos seres humanos.

A premissa básica é a da sustentabilidade dos sistemas ambientais , os quais devem levar em conta o ser humano e o ambiente que o circunda. Na atualidade percebe-se que embora os Recursos Naturais (RN) sejam constantemente utilizados como elementos de planejamento e estratégia de desenvolvimento, na maior parte das vezes não são consideradas nem valoradas economicamente da forma correta. A discussão sobre os serviços ambientais que os mesmos prestam, bem como a forma de percepção a estes, é dificultada pelos inúmeros atores envolvidos nas discussões, pelos interesses diversos e por pressões decorrentes de distintos enfoques dados aos temas que estejam sendo trabalhados.

Falta ainda uma visão de integração entre os elementos constituintes do meio ambiente de uma determinada região e os conhecimentos técnicos que permitem fazer destes uma utilização socialmente justa.

O crescente exacerbamento dos pressupostos de concorrência e competição coloca situações praticamente impossíveis de serem revertidas, onde apenas os mais aptos sobreviverão. Esta competição, principalmente nos setores que utilizam Recursos Naturais como matéria prima para seus produtos, que abastecem mercados nos quais as exigências são também crescentes, vem tornando as cadeias produtivas cada vez mais curtas, favorecidas pelo imediatismo nas relações sociais e pela velocidade e abrangência (global) da informação.

A integração entre o campo e o mercado consumidor tem trazido a necessidade de rápida modernização dos conceitos, ações e indicadores que permitam avaliar a eficácia de medidas que vem sendo adotadas, possibilitando ajustes de rumo para impedir impactos adversos. E diariamente são desenvolvidos novos valores tecnológicos, científicos, econômicos e culturais.

Além disto, discute-se a necessidade de uma nova ordem econômica internacional, sendo indispensável avaliar situações previstas (ou não) a médios e longos prazos, decorrentes destes fatores, tanto em locais isolados e ambientalmente conservados, quanto em centros urbanos e regiões intensamente ocupadas por populações humanas.

Tendo como objetivo promover um desenvolvimento planejado para as mais distintas regiões e levando em conta todos os elementos envolvidos (bióticos, abióticos, culturais, sociais, econômicos), fazem-se necessárias avaliações e propostas que integrem distintos setores e temas, de forma integrada, transversal e transdisciplinar.

A partir dos tópicos antes referidos identifica-se a clara necessidade de ser superada a dicotomia e competição entre o desenvolvimento econômico e o direito a um ambiente saudável. A isso também relacionam-se as questões de justiça social e justiça ambiental, já que, em se reduzindo a qualidade ambiental, afeta-se também a qualidade de vida (impactos sociais, culturais, sanitários, etc.).

Existe uma aparente ruptura entre a dimensão sócio-cultural-economica e as variáveis ambientais. Entretanto a cada dia mais se percebe a necessidade da inserção ambiental nestes processos sob pena de se ampliarem as desigualdades sociais entre povos e regiões, conduzindo àquilo que vem sendo denominado de desenvolvimento sustentável. .

Lévêque (1997), considera que a denominação correta seria desenvolvimento "durável", pois a demanda que se faz necessária é de um desenvolvimento que seja constante e que sirva para " reintegrar as políticas de meio ambiente numa perspectiva de desenvolvimento econômico. A idéia central permanece sendo a do desenvolvimento, mas as políticas ambientais não devem mais se manter à margem das principais escolhas econômicas e sociais... É necessário, portanto, inventar novos modos de desenvolvimento e pesquisar novas técnicas de gestão que permitam uma exploração durável. É preciso encontrar um equilíbrio entre uma necessária gestão centralizada que assegure uma coerência de conjunto e uma participação das populações, única garantia de que o meio ambiente, em longo prazo, seja tomado em consideração".
(Texto Luiza Chomenko )

 

 
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